Na quarta-feira (11), a Sotheby's leiloa em Genebra uma safira de 197,80 quilates que pertenceu à corte dos czares da Rússia. A estimativa é de 850 mil a 1,7 milhão de francos suíços. A história da pedra ajuda a entender uma regra das joias: o valor do metal, o valor da pedra e o valor da história são coisas diferentes.

Imagem ilustrativa
A safira que passou pela corte dos Romanov
A "safira Romanov" é uma pedra de origem cingalesa (Ceilão, atual Sri Lanka), em formato almofada e sem tratamento térmico, com 197,80 quilates. Segundo a Sotheby's, ela chegou à coleção da família imperial russa no século XIX. O catálogo Fersman, que inventariou as joias da coroa russa, mostra a pedra montada pela Fabergé junto de outra safira de 249,25 quilates métricos, e a imperatriz-viúva Maria Feodorovna usou o conjunto no baile do Palácio de Inverno de 1903, descrito pela casa de leilões como "o último grande espetáculo da Rússia imperial".
Depois da revolução de 1917, a safira foi vendida nas liquidações do governo soviético. Em 1927, a cantora de ópera Ganna Walska a comprou da Cartier, e em 1929 mandou montá-la em um colar longo com uma esmeralda mogol esculpida. A pedra foi a leilão em Nova York, em 1971, e em Genebra, em 1992. Em 2015, a Cartier criou a pulseira atual.

A imperatriz-viúva Maria Feodorovna no baile do Palácio de Inverno, em 1903, com a safira no vestido. Foto histórica
A pedra
- 197,80 quilates
- Safira do Ceilão
- Sem tratamento térmico
O metal
- Platina, conforme os punções
- Marcas francesa e suíça
- Pulseira feita pela Cartier em 2015
Os laudos
- Relatórios dos laboratórios SSEF e Gübelin
- Quatro laudos, de 2014 a 2026
- Cristal de rocha intercambiável
Outras joias do leilão
O leilão "Royal & Noble Jewels" tem cerca de 80 lotes. Entre os destaques estão:
Tiara Mellerio
- Mostrada na exposição de Londres de 1862
- Estimativa: CHF 300 a 500 mil
- Da mesma joalheria do troféu da Bola de Ouro
Joia da duquesa
- Cartier de Londres, final dos anos 1930
- Opala negra, feita para a Duquesa de Devonshire
- Estimativa: CHF 780 mil a 1,1 mi
Rainha Amélie
- Pulseira e broche de esmeralda
- Esmeralda cabochão de 27,38 quilates
- Cada peça: CHF 70 a 100 mil

A tiara de diamantes da Mellerio, mostrada em Londres em 1862. Divulgação: Sotheby's

Pulseira e broche de esmeraldas da Rainha Amélie de Portugal. Divulgação: Sotheby's
O que vale mais: o metal, a pedra ou a história?
Na pulseira Romanov, quase todo o valor está na pedra e na história. O metal, no caso a platina, é uma parte pequena do preço. Em uma joia comum de ouro, acontece o contrário: o valor do ouro costuma ser a maior parte do preço.
Por isso, quando uma joia tem pedras, o ouro e as pedras são avaliados separadamente. O ouro se calcula pelo peso, pelo teor (750 para 18 quilates, por exemplo) e pela cotação do dia. As pedras dependem de laudo de laboratório. Na pulseira Romanov, o leilão apresenta relatórios dos laboratórios SSEF e Gübelin justamente para atestar a origem e a ausência de tratamento da safira.
O ouro, ao contrário das gemas, não precisa de laudo gemológico: pesar a peça e conferir o teor já dão uma boa noção de quanto ele vale.
O que fica dessa história
Uma joia pode valer pelo metal, pela pedra ou pela história, e quase sempre por uma combinação dos três. Saber qual é o seu caso é o primeiro passo antes de decidir o que fazer com uma peça de família.
Este texto foi escrito antes do leilão, que acontece em 11 de novembro. O preço final pode ficar acima ou abaixo da estimativa.
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