Na ilha grega de Egina, arqueólogos encontraram 32 peças que provavelmente formavam um único colar, feito há cerca de 3.500 anos. O fio que as unia desapareceu há muito tempo, mas o ouro das contas e dos pingentes chegou até hoje em excelente estado, espalhado dentro de uma estrutura de pedra.
Um colar que se desfez, mas não o ouro
A descoberta foi anunciada pelo Ministério da Cultura da Grécia em abril de 2026 e vem das escavações de 2025 em Kolona (também grafada Kolonna), sítio arqueológico de Egina, no Golfo de Atenas. O trabalho é conduzido pela Universidade de Salzburgo, em parceria com o Instituto Arqueológico Austríaco em Atenas, sob a direção do professor Alexander Sokolicek.
As peças estavam dentro de uma grande estrutura de pedra, perto da muralha que protegia o "subúrbio interno" do povoado da Idade do Bronze Média, na primeira metade do segundo milênio a.C. Segundo os pesquisadores, o conjunto provavelmente formava um único colar ou pingente.

Vista aérea de Kolona, em Egina, com dois dos pingentes de ouro encontrados nas escavações (Divulgação: Ministério da Cultura da Grécia)
O achado
- Escavações de 2025, em Kolona
- Ilha de Egina (Grécia)
- Anunciado em abril de 2026
A idade
- Idade do Bronze Média
- Primeira metade do 2º milênio a.C.
- Cerca de 3.500 anos
As peças
- 32 itens no total
- 25 deles de ouro
- 7 contas de cornalina
O que foi encontrado
De acordo com o relato divulgado pela imprensa, o conjunto reúne:
- 9 pingentes de ouro em forma de disco (8 de dois lados e 1 de formato diferente);
- 7 contas de ouro em formato bicônico e 1 conta cilíndrica;
- 8 lâminas decorativas de ouro;
- 7 contas esféricas de cornalina, uma pedra avermelhada.
Junto com as joias apareceram fragmentos de metal, possivelmente de pequenas ferramentas ou armas, e um alfinete. As descrições variam entre as reportagens quanto ao tipo de metal desses fragmentos, por isso o artigo não detalha esse ponto.

Pingente de ouro com disco pendente, visto pela frente e por trás

Outro pingente de ouro com disco pendente, também fotografado pela frente e por trás

Uma conta de ouro bicônica e uma conta esférica, fotografadas com escala
Onde estava o dono do colar?
Uma hipótese é que as joias fossem oferendas funerárias. Mas não foi encontrada nenhuma sepultura preservada, nem restos de esqueleto associados ao conjunto. Sokolicek diz que as peças provavelmente vêm de uma tumba ainda não localizada, que teria sido perturbada em algum momento, na Antiguidade ou em tempos modernos, e isso explicaria por que as peças estavam espalhadas dentro da estrutura de pedra.
O parentesco com um tesouro do Museu Britânico
Alguns pingentes lembram os do chamado Tesouro de Egina, hoje no Museu Britânico, que reúne brincos, diademas, um peitoral, pulseiras e contas de ouro e pedras como lápis-lazúli e ametista. O museu comprou a maior parte do conjunto em 1892, e outras peças em 1914. A datação aceita fica entre 1850 e 1550 a.C.

Pingentes de ouro em forma de disco, com disco pendente, fotografados com escala

Fileiras de contas de ouro em forma de meia-lua
A origem exata desse tesouro é discutida. Parte das fontes diz que ele foi achado em um túmulo da própria ilha de Egina, em 1891. Outras sugerem que veio da necrópole de Chryssolakkos, em Malia, na ilha de Creta. A semelhança com as peças novas é interessante justamente por isso: as joias de Kolona têm local de origem conhecido, e podem ajudar a esclarecer que tradições de oficina circulavam no Mar Egeu.
Segundo a Universidade de Salzburgo, as próximas análises vão focar na origem do ouro e nas técnicas de fabricação, para entender oficinas antigas e rotas comerciais da região.
Uma ilha com milênios de história
Kolona foi habitada do quarto milênio a.C. até cerca do ano 1000 d.C. Na Idade do Bronze, o local se tornou um centro de poder de alcance regional, com uma elite conectada ao comércio marítimo. Mais tarde, ali foi construído um santuário com um templo dórico dedicado a Apolo, cuja única coluna que ficou de pé deu nome ao sítio e hoje é o símbolo da ilha.

Ruínas de Kolona, em Egina, com a coluna que restou do templo de Apolo ao fundo
O que fica dessa história
O fio do colar de Egina se perdeu, as peças se separaram e a estrutura que as guardava foi remexida ao longo de milênios. Mesmo assim, o ouro foi encontrado em excelente estado. Ele não enferruja nem escurece com o tempo, e continua sendo valioso mesmo quando a peça original deixa de existir como joia inteira.
O mesmo vale para o que muita gente guarda em casa: correntes quebradas, pingentes soltos, brincos sem par, alianças amassadas. A peça pode não servir mais para usar, mas o ouro dela continua sendo ouro. Pesar e testar o teor é o que mostra quanto esse material vale hoje.
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