Preço do ouro cai 25% desde o recorde de janeiro: o que isso muda para suas joias

O ouro abriu a semana negociado perto de US$ 4.000 por onça-troy, cerca de um quarto abaixo do recorde de janeiro, quando passou de US$ 5.300. Com decisões do Fed, do Banco Central Europeu e do Banco do Japão nos próximos dias, o preço volta ao centro das atenções de quem tem joias guardadas.

Onde o ouro está hoje

Nesta segunda-feira (26), o contrato de dezembro do ouro na Comex fechou em US$ 4.038,40 por onça-troy, alta de 0,76%, segundo o Diário do Grande ABC. No início do pregão, o metal chegou a operar abaixo de US$ 4.000, mas se recuperou com a queda do petróleo, que aliviou o temor de inflação, e com a busca por ativos de proteção.

A onça-troy equivale a 31,1 gramas. Em números redondos, isso dá algo como US$ 130 por grama de ouro puro (24 quilates), valor que depois é convertido em reais e ajustado pelo teor de cada peça.

US$ 4.038
por onça-troy: fechamento do ouro na Comex (contrato de dezembro) em 26 de outubro de 2026.

De mais de US$ 5.300 a US$ 4.000: o que aconteceu

Em 28 de janeiro de 2026, o ouro bateu o maior preço à vista já registrado. A Agência Brasil apontou US$ 5.326 naquele dia, enquanto outras fontes citam picos entre US$ 5.400 e US$ 5.600, a depender do critério (preço à vista ou máxima intradiária). Em junho, o metal rompeu o piso de US$ 4.000 pela primeira vez desde novembro de 2025.

Segundo as análises publicadas ao longo do ano, três fatores pesaram mais:

Juros e dólar

  • Temor de inflação nos EUA
  • Expectativa de juros mais altos
  • Ouro não paga rendimento

Dinheiro saindo

  • Saída de fundos de ouro (ETFs)
  • Venda para financiar ações de tecnologia
  • Realização de lucros após alta de 65% em 2025

Petróleo

  • Guerra no Oriente Médio
  • Petróleo alto reforça a inflação
  • Mercado passa a prever juros altos

É um paradoxo: mesmo com tensões geopolíticas, que costumam favorecer o ouro, a expectativa de juros mais altos pesou mais no preço.


A semana que pode mexer no preço

O mercado espera que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, mantenha os juros na quarta-feira (28). O que vai importar é o tom do comunicado: um discurso mais duro tende a pressionar o ouro, e um mais brando, a ajudá-lo. O Banco Central Europeu decide na quinta-feira (29) e o Banco do Japão, na sexta-feira (30).

Previsões para o fim do ano não têm consenso. O World Gold Council, entidade do setor, trabalha com um cenário-base de preço próximo de US$ 4.100, com variação de 5% para cima ou para baixo. Já o Goldman Sachs cortou sua projeção para US$ 4.900, e o JPMorgan, para US$ 4.500, em revisões feitas no meio do ano.


Os bancos centrais seguem comprando

Enquanto o investidor individual vendeu, os governos continuaram comprando. Segundo reportagens que citam o World Gold Council, os bancos centrais compraram em média cerca de 1.000 toneladas por ano desde 2022, quase o dobro da média da década anterior. Em uma pesquisa recente, 45% dos 74 bancos centrais consultados disseram planejar aumentar suas reservas de ouro nos próximos 12 meses, um recorde da pesquisa.

172,4 t
de ouro nas reservas do Banco Central do Brasil, a maior posição da América Latina, segundo dados citados pela Forbes Brasil para março de 2026.

O que isso significa para quem tem joias em casa

Mesmo depois da queda, o ouro segue muito acima do patamar de janeiro de 2025, quando a onça valia cerca de US$ 2.700. Ou seja, está em torno de 50% mais caro do que há pouco menos de dois anos. Quem guardou correntes, alianças, pulseiras ou dentes de ouro continua com um patrimônio relevante.

O valor de uma joia usada se calcula basicamente por três números: o peso em gramas, o teor do ouro (18 quilates tem 75% de ouro, 14 quilates tem 58,5%, por exemplo) e a cotação do dia. Como a cotação muda diariamente, o mesmo anel pode valer um pouco mais ou um pouco menos de uma semana para outra.

Ninguém consegue prever o preço do ouro, e este texto não é recomendação de venda ou de compra. O que dá para fazer é conhecer o que você tem: pesar a peça, conferir a marcação do teor e comparar propostas antes de decidir.


O que fica dessa história

O ouro caiu cerca de um quarto desde o recorde, mas segue em um patamar historicamente alto, e a próxima direção depende de decisões de juros que ainda não saíram. Para quem tem joias guardadas, o mais útil é saber exatamente o peso e o teor de cada peça.

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