Em 2026, Taylor Swift lançou de surpresa um clipe inteiro dedicado a Elizabeth Taylor, feito só com imagens de arquivo da atriz. Entre os filmes, os vestidos e os flashes dos fotógrafos, quem prestou atenção reparou em outra protagonista: a coleção de joias que, em 2011, rendeu mais de US$ 137 milhões em um único leilão. Por trás de cada pedra famosa, porém, existe um material que quase nunca aparece na manchete: o metal onde ela foi engastada.
Um clipe sem Taylor Swift, mas cheio de joias
A música "Elizabeth Taylor" chegou ao público com um videoclipe feito de recortes de filmes e de aparições públicas da atriz, sem a cantora em cena. Segundo a cobertura da imprensa americana, entram na montagem trechos de títulos como Um Lugar ao Sol, Cleópatra, Gata em Teto de Zinco Quente, Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e O Pai da Noiva, além de imagens de bastidores com fotógrafos cercando o carro da atriz. Os créditos finais agradecem às famílias de Elizabeth e de seus ex-maridos Mike Todd e Michael Wilding.
As joias aparecem em primeiro plano. A imprensa especializada destacou a tiara de diamantes que foi presente de Mike Todd, um anel com um grande diamante de lapidação esmeralda, uma pulseira de diamantes e um conjunto da Cartier com rubis e diamantes. Há divergência entre as reportagens sobre qual anel exatamente aparece em cada cena, e a própria historiadora de joias Marion Fasel, ouvida pela National Jeweler, trata uma das identificações como provável, e não confirmada.
O contexto também chamou atenção: Taylor Swift se noivou de Travis Kelce em agosto de 2025, e várias publicações ligaram o anel que aparece no clipe ao seu próprio anel de noivado.
Imagem do clipe "Elizabeth Taylor", de Taylor Swift

Cena do clipe "Elizabeth Taylor" (reprodução do vídeo)
Imagem de divulgação do clipe "Elizabeth Taylor"
O clipe
- Feito só com imagens de arquivo
- Taylor Swift não aparece
- Joias em destaque do começo ao fim
A coleção
- Leilão da Christie's, dezembro de 2011
- 270 lotes vendidos
- Mais de US$ 137 milhões em joias
O que sobra
- Pedras valem pela fama
- O ouro vale pelo peso e pela pureza
- Os dois podem ser avaliados
O leilão que mudou o patamar das joias de celebridades
Elizabeth Taylor morreu em 2011, e a coleção foi a leilão em Nova York ainda naquele ano. A Christie's vendeu 270 lotes de joias por cerca de US$ 137,2 milhões, e a noite principal, com 80 lotes, passou de US$ 115 milhões. Foi, na época, a maior venda de joias de um colecionador individual já realizada em leilão.
As peças que mais pesaram no resultado
- La Peregrina: pérola natural de mais de 50 quilates, comprada por Richard Burton em 1969 por US$ 37 mil e depois montada pela Cartier em um colar com diamantes, rubis e pérolas. Saiu por US$ 11,8 milhões.
- Diamante Elizabeth Taylor (antigo Krupp): 33,19 quilates, comprado por Burton em 1968 por cerca de US$ 307 mil. Foi vendido por US$ 8,8 milhões, um recorde de preço por quilate para um diamante incolor na época.
- Diamante Taj Mahal: também vendido por US$ 8,8 milhões, pendurado em uma corrente de ouro e rubis da Cartier.
- Tiara de Mike Todd: vendida por mais de US$ 4,2 milhões, contra uma estimativa inicial bem menor.

Colar Cartier com a pérola La Peregrina, exibido na prévia do leilão da Christie's, em Nova York, em dezembro de 2011 (Foto: Stan Honda/AFP via Getty Images)

O colar de rubis, diamantes e pérolas da Cartier com a pérola La Peregrina

A pérola La Peregrina

O Diamante Elizabeth Taylor, de 33,19 quilates, presente de Richard Burton em 1968 (Foto: Axel Koester/Corbis via Getty Images)
Elizabeth Taylor com o diamante, antes conhecido como Krupp
O diamante Krupp, antes do leilão

O anel com o diamante Krupp
O diamante que Burton não largou
Outro nome famoso da história de Elizabeth Taylor ficou fora do leilão de 2011: o diamante Taylor-Burton, de 69,42 quilates, em formato de pera. Ele foi arrematado pela Cartier em 1969, em Nova York, por US$ 1,05 milhão, um recorde para uma joia vendida em leilão naquele momento. Richard Burton, que havia perdido a disputa, procurou a Cartier e acabou comprando a pedra por cerca de US$ 1,1 milhão.

O diamante Taylor-Burton, em formato de pera, de 69,4 quilates, comprado por Richard Burton em 1969 (Foto: Ron Galella/Ron Galella Collection via Getty Images)
Depois do divórcio, Taylor vendeu o diamante em 1979, e parte do dinheiro foi usada para construir um hospital em Botsuana. A pedra mudou de mãos e, anos depois, foi relapidada para 68 quilates. É um bom lembrete de que uma gema pode perder peso quando é refeita, enquanto o ouro de uma joia antiga, ao ser fundido, conserva a massa de metal que tinha.
Onde entra o ouro nessa história
As manchetes falam de quilates, de diamantes e de pérolas. Mas toda peça famosa da coleção depende de uma estrutura metálica: a corrente de ouro e rubis que sustenta o Taj Mahal, o engaste do anel, o arco da tiara, o fecho do colar. Sem o metal, a pedra não é joia, é apenas uma pedra.

Colar Cartier de rubis e diamantes de Elizabeth Taylor, sustentado por estrutura de metal (Foto: Axel Koester/Corbis via Getty Images)
Esse raciocínio vale para qualquer joia, famosa ou não. O valor de uma peça de ouro em uma avaliação de compra não depende de quem a usou. Depende do peso do metal e do teor, ou seja, de quanto daquele peso é ouro puro. Uma aliança simples, um cordão antigo ou um par de brincos esquecidos na gaveta passam pelo mesmo critério que qualquer peça de coleção quando o assunto é o valor do metal.
A fama de Elizabeth Taylor multiplicou o preço das pedras e das montagens muitas vezes além da estimativa. A procedência é um valor real, mas raro. O que está ao alcance de qualquer pessoa é conhecer o valor do metal da própria joia, que existe com ou sem história de Hollywood.
O que fica dessa história
O clipe de Taylor Swift reacendeu o interesse por uma coleção que já era lendária e lembrou que joias guardam histórias. Mas, para quem tem peças de ouro em casa, o recado prático é mais simples: antes de decidir o que fazer com uma joia herdada, esquecida ou fora de uso, vale saber quanto ela pesa, qual o teor do ouro e quanto vale hoje.
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