Amigos encontram diamante de 6 quilates ao vivo no TikTok, no único parque do mundo onde você fica com o que achar

Dois amigos estavam transmitindo ao vivo no TikTok, cavando terra num parque estadual do Arkansas, quando um deles virou uma pilha de cascalho e viu algo brilhar. Em poucos segundos, o que era só um vídeo de lazer virou o registro ao vivo de um dos maiores diamantes já encontrados naquele parque em mais de 50 anos, tudo isso num lugar onde qualquer visitante pode escavar e, se encontrar algo, simplesmente levar para casa.

O único lugar do mundo onde você pode cavar e ficar com o diamante

O Crater of Diamonds State Park, no município de Murfreesboro, Arkansas (EUA), ocupa uma posição única entre os parques do mundo: é o único lugar aberto ao público onde qualquer visitante pode escavar o solo de um campo vulcânico natural e, se encontrar um diamante, ficar com ele, sem nenhuma restrição. O parque funciona sobre a cratera de um antigo vulcão de kimberlito, a mesma formação geológica que origina diamantes em minas comerciais ao redor do mundo.

Desde que se tornou parque estadual em 1972, mais de 37 mil diamantes já foram encontrados e registrados por visitantes comuns, turistas, famílias, aposentados, sem qualquer experiência prévia em mineração. Basta pagar uma taxa de entrada, alugar ou levar ferramentas simples, e começar a procurar no campo de 15 hectares reservado para isso.

Campo de escavação do Crater of Diamonds State Park, Arkansas

O campo de 15 hectares do Crater of Diamonds State Park, aberto à escavação pública (Foto: Arkansas State Parks)

O parque

  • Crater of Diamonds State Park, Arkansas (EUA)
  • Único parque do mundo aberto à escavação pública de diamantes
  • Mais de 37 mil diamantes encontrados desde 1972

A descoberta

  • 25 de janeiro de 2026
  • Diamante amarelo canário de 6,03 quilates
  • Encontrado durante transmissão ao vivo no TikTok

A raridade

  • 4º maior diamante amarelo já registrado no parque
  • 22º maior diamante de qualquer cor desde 1972
  • Formato raro de 48 faces (hexoctaedro)
American Dream Diamond, diamante amarelo de 6,03 quilates encontrado no Arkansas

O "American Dream Diamond", de 6,03 quilates, encontrado por Jack Pearadin e Michael Schumacher (Foto: Arkansas State Parks)


A descoberta que virou notícia nacional

Jack Pearadin, de Nashville, no próprio Arkansas, e Michael Schumacher, de Soldiers Grove, Wisconsin, escavavam juntos no parque em 25 de janeiro de 2026, transmitindo a busca ao vivo pelo TikTok, quando encontraram a pedra na quarta pilha de cascalho que reviraram. Segundo Pearadin, ele percebeu de imediato que a pedra era grande, mas só entendeu a real dimensão do achado depois, e começou a tremer quando se deu conta do tamanho.

Waymon Cox, superintendente assistente do parque, descreveu a peça em comunicado oficial: "Este diamante é absolutamente deslumbrante de se ver. Ele tem uma superfície muito simétrica e arredondada, e parece ser um hexoctaedro, um cristal de 48 faces." Segundo Cox, esse formato é raro entre os diamantes do parque, já que a maioria costuma ter 12 ou 24 faces.

6,03 ct
é o peso do diamante amarelo canário encontrado ao vivo no TikTok, do tamanho aproximado de uma bala de goma, o 4º maior diamante amarelo já registrado no parque desde 1972.

Não é um caso isolado: o parque continua entregando diamantes toda semana

O achado de Pearadin e Schumacher, batizado por eles de "American Dream Diamond" (numa referência ao aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, celebrado em 2026), foi só o 27º diamante registrado no parque naquele ano. Meses depois, em agosto de 2026, um avô do Tennessee, Barry Smith, encontrou outro diamante amarelo, de 2,29 quilates, enquanto passeava no parque com a esposa e as duas netas. Até aquele momento, o parque já contabilizava 351 diamantes registrados só em 2026, uma média de um a dois diamantes encontrados por dia.

Segundo o próprio parque, os diamantes ali podem ser brancos, marrons ou amarelos, sendo o amarelo a cor mais rara das três. Como já explicamos em outro artigo aqui do blog, a cor amarela surge quando átomos de nitrogênio se infiltram na estrutura cristalina do diamante durante sua formação, absorvendo luz azul e refletindo tons amarelos, exatamente o mesmo fenômeno que torna raros os diamantes amarelos encontrados em minas comerciais ao redor do mundo.

Visitantes procurando diamantes no Crater of Diamonds State Park

Visitantes do parque durante a busca por diamantes no solo vulcânico (Foto: Smithsonian Magazine)


O que esse tipo de achado revela sobre valor e sorte

Há algo genuinamente democrático nesse tipo de história: ao contrário da mineração industrial, que exige bilhões em investimento, equipamentos de ponta e décadas de operação, como vimos no caso da mina Diavik, no Ártico canadense, o Crater of Diamonds prova que diamantes de qualidade gema ainda podem ser encontrados por qualquer pessoa disposta a passar algumas horas cavando terra, sem nenhum conhecimento técnico prévio.

Isso não diminui em nada o valor real dessas pedras. Um diamante de 6 quilates, mesmo em estado bruto, representa um valor significativo assim que passa por avaliação e lapidação profissional. O que muda é só a origem da descoberta: em vez de sair de uma operação industrial bilionária, esse veio de um fim de tarde qualquer, com uma pá de jardim e um pouco de sorte.

Diamante lapidado

Depois da avaliação e lapidação profissional, uma pedra bruta revela seu verdadeiro potencial de valor


O que fica dessa história

Enquanto minas ao redor do mundo fecham depois de décadas de operação e bilhões em investimento, como aconteceu recentemente no Canadá, um parque público no interior do Arkansas segue entregando diamantes reais para visitantes comuns, quase toda semana, há mais de 50 anos. É um lembrete de que o valor de uma pedra preciosa não depende de onde ela foi encontrada, depende do que ela realmente é: peso, pureza, cor e raridade, fatores que qualquer avaliação profissional consegue confirmar, seja a pedra saída de uma mina no Ártico ou de um campo aberto ao público no interior dos Estados Unidos.

Se você tem joias com diamantes guardadas em casa, vale o mesmo princípio: o valor real delas só aparece com uma avaliação adequada, não importa a origem ou a história por trás da peça.

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